Ensaio sobre a Cegueira ou sobre a Lucidez?

Faltam menos de duas semanas para começar o pleito que definirá os 4 anos mais importantes desse país e confesso que nunca estive tão perdido para encarar aquele computador programador do futuro. Sou um cidadão, e me recuso a anular meu voto em um país onde a democracia é orgulho de bater no peito.

Vejo pesquisas, realizações e propagandas, incapazes de trazer clareza para um povo tão certo do que quer.

Na televisão só é possível enxergar uma guerra de torcidas, que muitas vezes parecem mesas de bar, onde burgueses adoram ser corintiano só pelo fato de ter a sensação maloqueira e São Paulinos mais que pobres, utilizam de argumentos soberbos para desqualificar aquilo que ele pratica todos os dias.

Já me acostumei a rezar para que eu ligue a TV e não me vendam política como vendem futebol, mas não tem jeito, minha decisão terá de ser uma marca, um estilo de vida...

Quando foi lançada a campanha, meu voto era da Marina, mas o tempo foi passando e fiquei pensando sobre essa batalhadora mulher. Para mim o discurso é tudo, e na sua campanha só vejo uma mente iludida, falando de um país que nem alcançou a maturidade para pensar em crescimento sustentável...95% da população nem sabe o que é o crescimento sustentável. Sua propaganda eleitoral é pobre, seus textos são infantis e sua entonação é de alguém que perde a cabeça no primeiro problema que se deparar.

Dilma nem pensar, nem entra nessa lista de possíveis que até então me deixou perdido. Não vou dizer os meus motivos, mas uma boa dica, é que sua propaganda é muito boa, e isso me deixa um tanto assustado com o poder de iludir dessa trupe.

Serra...Tadinho! Ele tentou de tudo, ou melhor, está tentando de tudo. Isso até me motiva um pouco a votar nele, gosto de pessoas que chutam de bico, que fazem o que for possível para não perder, que se debatem até o fim. Por outro lado, não gosto de perdedores, e ele é um grande perdedor.

Ainda tenho uma opção? Não! ...Mas e a democracia não é uma opção?

Esta, nunca existiu para nós, mas sempre fizemos questão de manter o significado da palavra acesa, numa tentativa de mostrar a força do povo, agindo como donos de nós mesmos, enquanto na verdade a democracia tinha como significado, o  livre arbitrio dos interesses da mídia representado na urna pelo povo.
 
A mídia perdeu força, e nós perdemos juntos?...Não era nosso dever ter aprendido a caminhar com nossas pernas?

A verdade e a mentira já não cabe a nós entender, saber ou discernir, sendo assim... Caberá a mim, ser um voto perdido em meio a milhões de desvairados reféns da Lei de Gérson, ou melhor, da democracia fajuta?

Nunca na história desse país, nossa história coube tão bem nos livros do mestre Saramago, tudo se encaminha para um Ensaio sobre a Cegueira ou sobre a Lucidez!

Agora escreva o final...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

2 responses to Ensaio sobre a Cegueira ou sobre a Lucidez?

  1. Tudo se discute nesse mundo, Menos uma única coisa que não se discute, Não se discute a Democrácia! A democrácia esta aí, como se fosse uma espécie de santa no altar, de quem não se espera um milagre, mas esta aí como uma referência, uma referência é a democrácia e não se repara que a democrácia em que vivemos é sequestrada, condicionada, amputada, porque o poder do cidadão, o poder de cada um de nós se limita na esfera política, repito na esfera política, para tirar um governo de que não gosta e por outro que talvez venha a gostar e nada mais. Mas as grandes decisões, as grandes decisões são tomadas em outra esfera, e todos sabemos qual é. As grandes organizações financeiras internacionais, OS FMI's, as organizações mundiais de comércio, os bancos mundiais, a OSME, tudo isso, nenhum desses organimos é democrático. E portanto e como que podemos continuar a falar de democrácia, se efetivamente os governos do mundo, não são conduzidos de leitos democráticamente pelo povo, quem é que escolhe o represente dos paises nessas organizações, os partidos dos povos? Não. Então onde esta a democrácia?

    Transcrevi para senhor, José Saramago palestrando em algum lugar que não sei.

    Abraços

  2. Muito bem professor Pedro!

    Como mesmo já disse em texto anterior, a questão é...Quem controla seu destino?

    A intenção do texto na verdade foi pedir um segundo turno em prol da democracia. Não pedi votos pro Serra, nem para Marina, tampouco para sua querida DAMA DE FERRO, pedi apenas um sinal de que nos preocupamos com a saúde da palavra democracia.

    Poderemos viver uma crise política nos próximos anos, onde o governo poderá ter maioria absoluta nos três poderes. Esse seria o governo da reforma política e da reforma tributária e o que vemos não é nada animador. Não temos nenhuma candidato com capacidade de executar tudo aquilo que os holofotes do mundo estão esperando.

    Um segundo turno já me deixaria mais feliz, mesmo que essa oposição omissa e frágil não mereça, é necessário!

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