A Pátria que continua exilando...

Todos os anos milhares de pessoas deixam o país em busca de oportunidades melhores nos países de primeiro mundo. Na maioria das vezes essas pessoas cruzam a fronteira de forma ilegal, o que perante a lei é crime, mas que visivelmente não é ilegalmente moral.

Esses são os filhos da pátria sem acesso a empregos dignos e que na maioria das vezes sequer tem uma casa, aposentadoria ou um futuro que garanta uma velhice saudável.

Muitos tiveram bons empregos, salários razoáveis e uma vida mesmo que por alguns anos com certa expectativa. Outros sofreram com as macro-situações que um país instável aplica de uma hora para outra.

Numa visão mercadológica, estes filhos da pátria, são potenciais consumidores que todos os dias injetam suas receitas nessas nações que foram acolhidos. Essas, oferecem trabalhos com boas remunerações que os garante uma moradia decente, uma compra mensal que sacie suas necessidades e poder de compra para que possa sentir a sensação de comprador (útil).

-Parece uma boa oferta, não?

Como um bom negociador, um país quando recebe um imigrante ilegal, deixa claro as condições dos termos, são condições sublimares que você muitas vezes só se da conta com o passar do tempo.

Por se tratar de uma negociação ilegal, dou o nome a esta negociação de operação VISTA CURTA. Mesmo com nome tão sugestivo, os termos são bem claros como num contrato de confissão de dívida.

Para fazer parte da operação VISTA CURTA, a principal condição que deve ser seguida: é de que você não terá mais a sua identidade, (entendam como quiser quando falo de identidade, pois qualquer que seja sua interpretação faz parte daquilo que quis dizer com a palavra), não poderá esquecer que você nunca se tornará protagonista, isso é só para os verdadeiros filhos da nação.

-Eles não são bons pais adotivos, só exaltam os filhos de sangue.

Um exemplo bem escancarado é o modelo Estados Unidos, todos os dias milhares de imigrantes cruzam a fronteira do México em busca de oportunidades, esses rapidamente começam a trabalhar, compram carros, alugam casas e vivem suas vidas tranqüilas.

Pode parecer Alice no país das maravilhas, mas para que conquistassem tal vida, lhes tiram aquilo que é mais importante para um homem, sua identidade...mesmo assim é possível fazer seguro para seus carros, alugar casas e até fazer viagens de avião, o que não segue a regra para aqueles que querem estudar ou conseguir um emprego do qual tem aptidão.

- Isso é quase impossível para os filhos bastardos.
Nesse tipo de negociação onde só há um negociante, a outra parte dá tudo em troca pela esperança, muitas vezes não sabe nem o que está abrindo mão, tamanho desespero. O mais engraçado, é que ainda acham que estão fazendo um ótimo negócio.

Passa-se anos do contrato e provamos ao mundo que somos um país que não investimos nas pessoas, escorraçamos nosso povo sem mesmo lhes proporcionar esperança, os tornando refém de sua nova identidade, tomando tapa na cara da sociedade alheia, financiada pelas suas próprias mãos.

Isso prova a ineficiência do amor a pátria, pela própria pátria!


Continuarão a amar aqueles que os tratam como clientes...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

3 responses to A Pátria que continua exilando...

  1. Hugo says:

    Muito bom Betinho!
    E o pior é que o países considerados de terceiro mundo e em desenvolvimento nao só exportam sua mão-de-obra barata, mas sim também a sua nata intelectual que muitas deixam o país por ricos salários no exterior, nao dando o retorno ao país daquilo que foi investido neles, na maioria das vezes, através da educaçao universitária pública. Ou seja, ainda falta oportunidade para todos... tanto para os filhos bastardos quanto para os filhos abastados da Pátria!

    ótimo texto!

  2. Palavra Urbana says:
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  3. Lavar prato aqui ou lá? Prefiro lavar aqui; ainda acredito neste país Beto, e sei que também acredita, hoje tenho mais oportunidades que 9 anos, e tomora que assim seja sucessivamente ganhe quem ganhar -, tenho um exemplo em casa de sucesso que com muita garra, luta e coragem venceu a repressão do mercado de trabalho, essa pessoa passou por periodos nebulosos no período de estudo, sonhou e acreditou nesta saudosa nação e chegou onde chegou. Um dos motivos que faço faculdade de Educação é Justamente por que acredito numa mudança, e não somos inocentes de achar que mudar em quatro, oito, doze anos, a coisa é lenta, não se muda uma sociedade do dia para noite, aqui temos, inteligência, potencial economico(apesar de mal distribuido) e natural, temos um povo que mata um leão por dia, enfim temos tudo para ser grandes; desde abertura política que tivemos com a liderança de Tancredo e Ulises, e com promulgação da constituição de 1989, estamos conseguindo sair de meros expectadores para nos tornar uma voz no palco.

    Abraços

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